Sexo, drogas e gestão danosa: Bem-vindo à vida do banqueiro e pastor Paul Flowers

Posted on 9/10/2015 by UNITED PHOTO PRESS MAGAZINE

O britânico deixou um rombo de 1,7 mil milhões no Co-operative Bank. Para piorar as coisas, é conselheiro de Ed Miliband, líder trabalhista.

Paul Flowers era conhecido no Reino Unido por ser o antigo presidente do banco mutualista Co-operative Bank (entre 2010 e junho deste ano), pastor metodista e ex-vereador da autarquia de Bradford, mas tudo mudou na sua vida nos últimos dias com revelações de alegadas orgias de sexo, droga e gestão danosa.

Um vídeo de dois minutos - revelado pelo jornal Mail on Sunday - mostra Paul Flowers, de 63 anos, dentro de um carro a contar dinheiro, 300 libras (360 euros), para, alegadamente, comprar vários tipos de drogas, incluindo cocaína e anfetaminas.

O caso já chegou ao mundo da política, uma vez que o ex-banqueiro é militante do partido Trabalhista, de centro-esquerda, e porque, historicamente, o Co-operative Bank tem sido um dos maiores contribuintes para esta força política, o maior partido da oposição atualmente. A agravar o caso está o facto de Paul Flowers ser conselheiro económico do líder trabalhista Ed Miliband.

A polémica está agora a servir de arma de arremesso político e o primeiro-ministro David Cameron já ordenou a abertura de um inquérito para apurar como é que Paul Flowers foi escolhido para presidir ao Co-op Bank. Nesta quinta-feira, no parlamento inglês, Cameron não deixou passar a oportunidade: "Encontrámos finalmente um inquérito público que ele [Ed Miliband] não quer. Ele vem a esta Casa [Câmara dos Comuns] e pede inquérito atrás de inquérito às culturas e práticas disto e daquilo. Mas quando chega ao Co-op ele fica absolutamente amedrontado." Em resposta, Ed Miliband acusou David Cameron de recorrer a "política baixa" para atacar os trabalhistas.

Orgias de sexo e droga
O vídeo foi filmado por Stuart Davies, que o banqueiro terá conhecido semanas antes através de uma rede social gay. E a publicação das imagens no Mail on Sunday levaram a polícia de West Yorkshire, no norte de Inglaterra, a investigar o caso, acabando por deter o pastor para ser interrogado sobre a compra de drogas. 

A polémica deu início a uma gigantesca bola de neve mediática no Reino Unido. Entre as inúmeras revelações, Paul Flowers ter-se-ia também demitido do cargo de vereador na autarquia de Bradford, em 2011, por alegadamente ter sido descoberta pornografia no seu computador de trabalho.

Além do vídeo, Stuart Davies revelou igualmente várias mensagens de texto que terá trocado com o pastor metodista (com 40 anos de carreira), que indiciam que Paul Flowers estaria sob o efeito de drogas no início de novembro, altura em que foi chamado a depor na Comissão de Finanças do parlamento britânico. Stuart Davies contou ao Mail on Sunday que ele e o pastor metodista organizaram várias festas onde se consumiu muita droga e álcool entre o final de outubro e o início de novembro deste ano. Os deputados comissão parlamentar exigem agora que seja realizada nova audiência.

Como se não bastasse, outras histórias mais antigas têm vindo a ser desenterradas - em 1981, Flowers foi condenado a pagar uma multa por indecência pública, após ter sido apanhado a ter sexo com um homem numa casa de banho. E ainda esta semana, um prostituto veio a público revelar que participou em orgias de drogas e sexo com o pastor britânico.

"Este ano foi incrivelmente difícil, com uma morte na família [a sua mãe] e as pressões do meu cargo no Co-operative Bank", disse Paul Flowers em comunicado. "No meu ponto mais baixo durante este período terrível, eu fiz coisas que foram estúpidas e erradas. Lamento tudo isso, estou a procurar ajuda profissional e quero pedir desculpas a todos a quem magoei devido às minhas ações", afirmou o pastor que foi entretanto suspenso pela Igreja Metodista.

Rombo de 1,7 mil milhões no Co-op Bank
Mas drogas e orgias são apenas parte da questão. Também a sua competência na gestão do Co-operative Bank, de onde se demitiu no verão, tem vindo a ser escrutinada pelo parlamento britânico. Flowers foi forçado a demitir-se devido ao "excessivo uso de despesas".

O banco tem um rombo de 1,7 mil milhões de euros no seu balanço o que vai levar à venda de 70% da instituição, segundo o The Guardian, tendo apresentado prejuízos de mais de 800 milhões de euros no primeiro semestre deste ano. A assembleia-geral de accionistas deverá aprovar a venda na próxima semana.

Após a divulgação do vídeo, o banco anunciou que vai cessar os pagamentos ao antigo presidente. Depois da sua saída, Paul Flowers recebeu mais de 37 mil euros do banco e o próximo pagamento, no valor de cerca de 150 mil euros, foi agora cancelado.

Regulação não funcionou
David Davis, político do partido Conservador de David Cameron, questionou porque é que os problemas do banco não foram detetados a tempo pelas Finanças e pelos reguladores. "Existem realmente sérias questões para responder sobre o que é que andaram todos a fazer", disse ao Financial Times.

Uma das questões que os trabalhistas querem saber é porque é que o governo de David Cameron apoiou, em 2012, a tentativa da instituição de triplicar o seu tamanho, quando tentou comprar mais de 630 balcões ao Lloyds Bank. Embora a oferta tenha sido retirada posteriormente, devido ao "ambiente económico" e às "crescentes exigências regulatórias do setor dos serviços financeiros", segundo o Co-op Bank.