A tradição das mulheres na enologia não é de agora

Posted on 9/27/2015 by UNITED PHOTO PRESS MAGAZINE

Rita Marques Ferreira, herdeira da quinta da família no Douro, em Cedovim, Foz Côa.

São cada vez mais as mulheres que escolhem enologia como profissão e os resultados estão à vista

Segundo o estudo, vinho do Porto não está no topo da lista da escolha das senhoras. No entanto, começou por ser feito por mulheres.

Falar em vinho do Porto e do Douro leva-nos a viajar ao século XIX, a D. Antónia Ferreira. A "Ferreirinha" foi a primeira mulher a assumir o negócio de vinhos da família e a ser bem-sucedida. Iniciada em 1920 por Deonilde Freitas, continuada por Germana Freitas e mais tarde por Ermelinda Freitas, a família sempre dedicou especial atenção ao vinho produzido na região da Península de Setúbal. Após a morte de Ermelinda, Leonor reforçou a liderança da empresa, mantendo a tradição feminina.

Rita Marques Ferreira, por seu turno, herdeira da quinta da família no Douro, em Cedovim, Foz Côa, também não faz por menos. Tinha 19 anos quando decidiu que queria agarrar-se às vinhas. "A engenharia mecânica cansava-me e as vinhas da família pareciam-me um misto de sonho e responsabilidade cada vez mais próximo", confessou-nos a enóloga de 31 anos. O Conceito branco e tinto e o Contraste também branco e tinto são os vinhos predominantes na quinta, mas há espaço para mais. "Temos um raro varietal de Bastardo, uma casta tinta quase extinta, de pouca cor, mas muita personalidade. Temos ainda um Porto Vintage, LBV e um Tawny 10 anos." Mas Rita não fica por aqui. Tendo trabalhado na Nova Zelândia e África do Sul, a responsável faz ainda "um branco Alvarinho nos vinhos verdes, um Sauvignon Blanc na Nova Zelândia e um lote de Merlot e Cabernet Sauvignon na África do Sul."

Os consumidores são maioritariamente estrangeiros, uma vez que das 150 mil garrafas que produzem, 1% é vendido em Portugal. "Os nossos maiores mercados são os Estados Unidos, China, Suíça, Canadá, Noruega e Angola, num total de cerca de 25 países. Gostávamos de aumentar as vendas em Portugal que é o país onde estamos e no qual acreditamos", acrescentou. Quanto ao vinho preferido, a enóloga contraria a tendência no gosto, mas valoriza a personalidade do vinho. "Entre os meus, tenho um carinho pessoal pelo Porto Vintage, que é a maior ambição de um enólogo no Douro e que faço num estilo leve e acessível. Nos outros, tenho um fraquinho por tintos do Château Haut-Brion, em Pessac-Léognan, e de modo geral por todos os vinhos bons e com carácter", concluiu.

Beatriz Silva